Estigma e saúde mental (parte 1)

As perturbações mentais não são visíveis no corpo e óbvias como um braço engessado, por isso, algumas pessoas têm tendência para menosprezar e ignorar o que as pessoas com uma situação de saúde mental estão a passar no momento. Referimo-nos ao estigma quando existe um reforço dos estereótipos que levam a atitudes preconceituosas que podem desencadear comportamentos discriminatórios. O estigma pode afetar a autorrealização, danificar a auto estima e interferir com a capacidade para pedir ajuda.

O estigma é composto por estes três componentes cognitivos e comportamentais:

  • Estereótipos
  • Preconceito
  • Discriminação

1 – Estereótipos

Os estereótipos são crenças negativas acerca de um indivíduo ou grupo. Este tipo de estereótipos encontram-se diariamente na comunicação social, na televisão e nos jornais, mas também, nas representações cinematográficas, que transmitem ideias que não correspondem à realidade do que são, na verdade, as perturbações mentais.

Eis alguns dos estereótipos mais comuns sobre pessoas com perturbações mentais:

ESTEREÓTIPO: as pessoas com doença mental são perigosas e imprevisíveis. Este é o estereótipo mais prevalente sobre pessoas com condições de saúde mental. É reforçada diariamente pelos média, incluindo os vários meios de comunicação social.

REALIDADE: a maioria das pessoas com doença mental nunca comete atos de violência e é mais provável que sejam vítimas de violência, comparativamente com outras pessoas. A realidade é que algumas pessoas que não têm acesso a cuidados de saúde mental cometem crimes violentos. De facto, e de acordo com dados da Investigação Epidemiológica Americana sobre Álcool e perturbações mentais, apenas 3% das pessoas com doença mental são violentas. Isso significa que 97% das pessoas com doença mental não são violentas.

ESTEREÓTIPO: as pessoas com doença mental são incompetentes. Este estereótipo é também muito difundido. A comunicação social e o cinema promovem bem este estereótipo, retratando pessoas com doença mental como irracionais, selvagens ou infantis.

REALIDADE: Este estereótipo não poderia estar mais longe da verdade. Exemplos como Winston Churchill, Ernest Hemmingway, entre outros, demonstram que a incompetência não tem de acompanhar uma perturbação mental.

ESTEREÓTIPO: as pessoas com doença mental merecem ser culpadas pelas suas situações de saúde mental. Embora este estereótipo tenha diminuído um pouco nos últimos anos, ainda é muito comum. Também pode ser expresso através de ideias como: as pessoas com doença mental são fracas ou têm “falhas de caráter” que originam as suas perturbações.

REALIDADE: como a pesquisa tem demonstrado, os responsáveis pela doença mental são as experiências de vida, o trauma e a biologia, e não a pessoa com o diagnóstico.

ESTEREÓTIPO: as pessoas com doença mental têm poucas hipóteses de recuperação. Este estereótipo faz com que acredite que uma pessoa com uma doença mental está irremediavelmente danificada.

REALIDADE: A investigação tem demonstrado que a maioria das pessoas que recebem tratamento melhoram, incluindo aqueles com condições graves como transtorno bipolar e esquizofrenia. Infelizmente, uma das razões pelas quais algumas pessoas com condições diagnosticáveis não procuram tratamento é porque elas próprias acreditam neste estereótipo.

Continua… 

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2 pensamentos sobre “Estigma e saúde mental (parte 1)

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