Estigma e saúde mental (parte 2)

Este post é uma continuação deste.

2 – Preconceito

O preconceito diz respeito à concordância das crenças pessoais com os estereótipos. Também se refere a reações emocionais, como por exemplo, o medo e a angústia, que surgem quando há contacto com pessoas com perturbações mentais.

O preconceito pode afetar as pessoas com doença mental de várias maneiras negativas. Deparar-se com atitudes preconceituosas ou até mesmo estar ciente de sua existência pode resultar em vergonha, constrangimento e diminuição da autoestima. Ainda pior, se a pessoa com uma situação de saúde mental percepciona estas atitudes preconceituosas como legítimas, ela pode interiorizar essas atitudes e aplicá-las a si mesmo. A isto chama-se auto-estigma e contribui para uma baixa autoestima e baixa autoeficácia (sentir-se incapaz de completar tarefas e atingir objetivos).

Outro impacto significativo do preconceito é que este torna-se uma barreira para as pessoas que procuram ajuda com situações de saúde mental. Muitos estudos mostraram que o medo do preconceito faz com que as pessoas com condições diagnosticáveis evitem o diagnóstico e o tratamento.

De seguida, podemos ver alguns dos preconceitos mais comuns contra as pessoas com situações de saúde mental. As reações negativas acontecem quando as pessoas concordam e apoiam estes preconceitos.

Medo e exclusão: devemos recear as pessoas com doenças mentais e estas devem ser mantidas fora das comunidades. Este preconceito está intimamente ligado ao estereótipo de perigosidade e ao estereótipo da culpa. Em questões de políticas públicas, isto muitas vezes é expresso como NIMBY (Not In My Back Yard) no que diz respeito a estabelecimentos que acolhem pessoas com perturbação mental, como instalações de tratamento, ou instalações que oferecem formação profissional para pessoas com doença mental. No entanto, os indivíduos também podem temer e evitar indivíduos específicos com doença mental. Excluir um vizinho com doença mental de um jantar ou evento de bairro são bons exemplos.

Autoritarismo: Pessoas com doença mental são irresponsáveis e precisam de outras pessoas para tomar as suas decisões. Isso está intimamente relacionado com o estereótipo de incompetência. Este preconceito pode aplicar-se a muitas decisões que as pessoas com doenças mentais poderiam tomar, como decisões sobre tomar medicamentos, decisões sobre finanças pessoais, ou decisões sobre a educação dos filhos. Nesses casos, o preconceito do autoritarismo sugere que os indivíduos com doença mental não devem ser autorizados a tomar essas decisões por conta própria.

Benevolência: as pessoas com doença mental são infantis e devem ser cuidadas por alguém. Esta atitude preconceituosa está ligada ao estereótipo da incompetência, bem como ao estereótipo de que há pouca esperança de recuperação. Este preconceito pode parecer benigno, pois é muitas vezes acompanhado de simpatia e piedade. Como o termo benevolência implica, não é uma atitude maliciosa, mas estas pessoas pensam menos naqueles com doença mental e menos nas suas capacidades.

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Os preconceitos geralmente levam a comportamentos discriminatórios quando as pessoas que estão em posições de poder e com autoridade detêm estas atitudes preconceituosas. Por exemplo, um empregador pode não contratar alguém com uma doença mental para um trabalho, mesmo que o candidato esteja qualificado para o cargo. Um proprietário pode não alugar um apartamento para uma pessoa com uma doença mental, mesmo que essa pessoa satisfaça todos os requisitos necessários para o aluguer do imóvel.

3 – discriminação

A discriminação refere-se ao comportamento que as pessoas têm perante uma determinada situação, ou seja, uma resposta baseada no preconceito. Podemos assistir a muitos comportamentos discriminatórios no dia-a-dia, como por exemplo, a recusa em trabalhar com uma pessoa que têm uma perturbação mental, ou recusar sair com um grupo de amigos sabendo que essa pessoa também vai.

Existem diferentes tipos de discriminação:

* Discriminação Direta

Quando alguém trata a pessoa pior do que outros por causa da sua perturbação mental. Pode ser difícil de provar a discriminação direta. É necessário provar que alguém foi tratado de uma forma pior que uma pessoa na mesma situação, que não tem uma perturbação.

* Discriminação Indireta

Quando existe uma regra, critério ou prática que se aplica a todos. Mas esta regra é injusta para pessoas com perturbação mental. Trata-se de discriminação, a menos que o empregador ou prestador de serviços possa justificá-la.

* Assédio

Quando as pessoas se comportam de forma agressiva ou intimidatória em relação à pessoa com perturbação mental. Se alguém é atormentado por causa de sua perturbação, isso é discriminação.

O estigma é muito difundido na nossa sociedade, e é uma razão por que tantas pessoas com condições completamente tratáveis sofrem desnecessariamente, e às vezes de forma trágica. Precisamos de uma sociedade que não discrimine ou ostracize as pessoas com doença mental, mas em vez disso, deve aceitá-las e apoiá-las, tal como faríamos com alguém que está a lutar contra uma doença física como o cancro.

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O que podemos fazer?

  1. Conheça os factos.

Aprenda sobre os problemas relacionados com a saúde mental. Aprenda os factos em vez dos mitos.

  1. Esteja ciente de suas atitudes e comportamento.

Todos crescemos com preconceitos e fazendo juízos de valor. Mas podemos mudar a maneira como pensamos! Veja as pessoas como seres humanos únicos, não como rótulos ou estereótipos. Veja a pessoa além de sua doença mental; elas têm muitos outros atributos pessoais que não desaparecem apenas porque têm uma doença mental.

  1. Escolha suas palavras com cuidado.

A forma como falamos pode afetar o modo como as outras pessoas pensam e falam. Não use linguagem ofensiva ou depreciativa.

  1. Educar os outros.

Encontrar oportunidades para transmitir factos e atitudes positivas sobre pessoas com problemas de saúde mental. Se os seus amigos, família, colegas de trabalho apresentarem informações que não são verdade, conteste os seus mitos e estereótipos. Explique como as suas palavras negativas e descrições incorretas afetam as pessoas com problemas de saúde mental, mantendo vivas as ideias falsas.

  1. Apoiar as pessoas.

Trate as pessoas que têm problemas de saúde mental com dignidade e respeito. Pense como gostaria que os outros agissem consigo se estivesse na mesma situação. Se tem membros da família, amigos ou colegas de trabalho com problemas de saúde mental, comece por apoiar as suas escolhas e incentivar os seus esforços para ficar bem.

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