O que é a depressão?

A depressão é uma perturbação mental bastante comum que afeta negativamente a forma como a pessoa se sente, a maneira como pensa e o seu comportamento. Felizmente, também é tratável. A depressão causa sentimentos de tristeza e/ou perda de interesse em atividades que antes eram agradáveis. Pode levar a uma variedade de problemas emocionais e físicos e pode diminuir a capacidade de uma pessoa funcionar tanto no trabalho, como em casa, na escola ou faculdade, entre outro tipo de ambientes em que a pessoa se encontra.

A depressão afeta aproximadamente um em cada 15 adultos. E estima-se que uma em cada seis pessoas experimentará a depressão em algum momento de sua vida. A depressão pode surgir a qualquer momento, mas, em média, aparece pela primeira vez durante o final da adolescência até por volta dos 20 anos. As mulheres são mais propensas do que os homens a experimentar a depressão. Alguns estudos mostram que um terço das mulheres experimentará um transtorno depressivo durante a sua vida.

A depressão é caraterizada por um estado prolongado de tristeza e desinteresse pela vida. A pessoa deprimida sente uma enorme tristeza que atravessa todas as áreas da sua vida. E mesmo a mais pequena coisa pode tornar-se extremamente difícil de realizar. A pessoa sente-se invadida por um enorme cansaço e falta de energia persistentes. A depressão é também, na maior parte das vezes, acompanhada por uma perda ou aumento de apetite, alterações nos padrões do sono e diminuição do desejo sexual. É muitas vezes um efeito de bola de neve, fazendo com que a pessoa acredite que é inútil, incapaz, que não tem valor, e tudo isto faz com que haja uma diminuição da autoestima. Por vezes, e, em alguns casos, surgem também pensamentos ligados ao suicídio.

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Quais as causas da depressão?

Não podemos afirmar que existe uma única causa para a depressão. O que geralmente acontece é uma conjugação de vários fatores, entre os quais encontramos:

Fatores biológicos: pode existir, em algumas pessoas, uma predisposição genética que desencadeia uma maior vulnerabilidade para a sintomatologia depressiva.

Acontecimentos de vida significativos: por exemplo a perda de um ente querido, o fim de uma relação amorosa significativa, alterações na estrutura familiar, perda de emprego ou alterações ao nível profissional, problemas financeiros, entre outros.

Padrões de pensamento: nas pessoas com depressão existe uma tendência para pensar sobre o mundo e os acontecimentos, de forma mais negativa, com a existência de expetativas irrealistas e algum enviesamento do pensamento, acompanhados de pensamentos autodestrutivos que contribuem para o humor mais depressivo.

Padrões de comportamento: as pessoas com depressão têm tendência a abandonar atividades que antes lhes traziam prazer, e têm tendência a isolar-se, o que contribui para o humor mais depressivo.

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Sintomas da depressão

De uma forma simples e resumida, a depressão carateriza-se pela existência dos seguintes sintomas presentes, pelo menos, durante duas semanas:

Sintomas emocionais: tristeza; ansiedade; aborrecimento/preocupação; culpa; uma sensação de não ter valor; irritabilidade; desespero; alterações repentinas do humor; falta de prazer (sensação de que nada nos dá prazer); distanciamento emocional das pessoas que nos rodeiam; sentir-se só; insatisfação com a vida em geral; sensação de vazio.

Sintomas físicos: perda de peso (sem dieta) ou aumento de peso significativo; diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias; insónia ou hipersónia (necessidade de dormir muito) quase todos os dias; inibição ou lentidão dos movimentos; agitação; náuseas ou alterações gastrointestinais; fadiga ou perda de energia quase todos os dias; irregularidades no ciclo menstrual.

Sintomas comportamentais: crises de choro; isolar-se; fechar-se em casa; evitar novas atividades; ataques de zanga; inércia; perda de interesse pela aparência física; ausência de realização de atividades que davam prazer; incapacidade para lidar com as tarefas diárias; diminuição da atenção, concentração, memória e tomada de decisão; consumo de álcool e drogas; comportamentos de automutilação.

Sintomas cognitivos (pensamentos): sentir-se um falhado; autocriticar-se frequentemente; pensamento de que não é possível ser ajudado; pessimismo em relação ao futuro; pensamentos sobre a morte e ideias de suicídio; perda de confiança e autoimagem negativa; pensamento de que se odeia a si próprio; pensamentos enviesados.

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Alguns mitos sobre a depressão

Como já falei num artigo anterior sobre o estigma e a doença mental (ver aqui e aqui) existem bastantes ideias erradas sobre as pessoas que têm perturbações mentais. Na depressão isto não é exceção. Existe uma tendência presente na sociedade para se pensar e dizer que as pessoas que lutam contra a depressão são pessoas preguiçosas. Porém isto não é verdade. Estar deprimido não é ser preguiçoso ou não lutar para se sentir melhor. Muitas vezes o que acontece é que a pessoa deprimida estabelece um padrão de exigência pessoal demasiado alto que faz com que se sinta que está a falhar e isto contribui para que se sinta pior. Além disso, algumas pessoas são mais vulneráveis que outras à presença da depressão, devido a fatores hereditários e genéticos ou devido a experiências precoces complicadas.

Sentir tristeza não é sinónimo de depressão. Embora não seja agradável sentirmo-nos tristes, podemos achar que se estivermos tristes maior será a probabilidade de estarmos deprimidos, porém, nem sempre é assim. A tristeza é uma emoção adaptativa que surge como resposta a uma perda significativa, e que nos pode alertar para a necessidade de nos recolhermos e sermos acolhidos por quem gostamos. Permite receber conforto daqueles que nos rodeiam e reconfortar as nossas fragilidades. Sempre que a tristeza surge é um alerta para algo que não está bem e que necessita da nossa atenção. É natural que nos sintamos tristes quando perdemos alguém que gostamos, ou, por exemplo, quando perdemos um emprego, e é esta capacidade de ficarmos tristes perante este tipo de acontecimentos que nos impede e protege contra a depressão.

Na depressão o que acontece é precisamente o contrário, tentamos sistematicamente fugir da tristeza, tentamos construir coisas em cima dela para não nos sentirmos tristes. Quanto mais procuramos silenciar a tristeza, mais nos distanciamos desta emoção que é fundamental ser vivenciada, devido aos acontecimentos dolorosos da nossa vida. Na realidade, quando estagnamos as emoções, é como se ficássemos com uma dor aprisionada dentro de nós que nos impede de nos libertarmos da sensação de perda e vazio, nem nos permite procurar outras pessoas, outras oportunidades. A energia que utilizamos para nos manter assim, consome-nos e deixa-nos absolutamente exaustos.

Independentemente da origem da depressão sabemos que a depressão se mantém com base nos comportamentos que decorrem de todos estes pensamentos negativos e de um bloqueio que se forma dentro das pessoas e que as impede de viver a tristeza de forma saudável.

No próximo post voltarei a este tema e irei falar mais especificamente sobre o tipo de pensamentos caraterísticos da depressão e indicarei algumas estratégias de autoajuda para lidar com esta doença.

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